
Hoje, pela tarde, enquanto estudava, avistei um velhinho fazendo seu passeio diário. Ele tinha cabelos brancos, as costas um pouco curvada, e tinha dificuldade para andar. Depois disso, pensei o que aqueles cabelos brancos e aquelas rugas não tinham para contar e então comecei a pensar.
Um dia ele já foi criança, teve de aprender a andar, a comer e a falar. Ele já teve que ir a escola, ter dificuldades e lutar pelo o que gostaria de ser. Já se apaixonou, errou, sofreu e se apaixonou de novo.
Quando era mais novo, não tinha essa tecnologia que podemos ter hoje, e mesmo assim, estava sempre com seus amigos, se divertindo. E junto a eles, passou por diversos protestos, tribos, épocas músicais, acontecimentos e foi capaz de fazer acontecer muito mais do que fazemos hoje. Encontrou o amor da sua vida e foi feliz ao lado dela, uma coisa que poucos sabem o que é hoje. Possivelmente teve filhos e agora netos.
Provavelmente já sofreu com algumas perdas, já sofreu por não ter um emprego, já passou dificuldades como guerras, ditaduras, pressão dos pais, imposições ou censuras e pode até ser que, na época, sua família tenha tido que lutar muito mais do que algumas pessoas estão acostumadas a lutar, hoje.
E então, volto para o presente e me deparo com pessoas dando valor a tão pouco, dizendo que morrerão sem seus computadores com internet de 2Gb ou que não aguentam mais ter que estudar. Pessoas que jogam dinheiro fora com bebidas, drogas e coisas que só as fazem andar para trás. E chego a conclusão que somos pessoas ingratas, temos muito mais do que qualquer um imaginou ter, naquela época, e não valorizamos isso, pois esse velho homem sobreviveu a muito mais e ainda possui um sorriso no rosto, todos os dias.
Meê Franco.